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Receitas:
A receita líquida da Inepar em 2010 cresceu 19% comparado ao ano de 2009. Esse número é muito bom , e mostra que a Inepar continua crescendo a taxas muito acima da média do mercado, dando seguimento ao crescimento vertiginoso da empresa ao longo de parte da década passada. Esse crescimento tem se sustentado através dos investimentos feitos pela empresa e pela alta demanda de serviços decorrente do setor em que as empresas do grupo atuam. Em 2010 tivemos , além dos habituais investimentos em repotencialização de máquinas e ampliação do pátio industrial , a inauguração da IESA São Vicente (estratégicamente localizada para prestação de serviços principalmente para Petrobrás), a construção do laboratório de modelos reduzidos de PCHs na Andritz (primeiro na América.S) , a constituição da JV com a Innovida (empresa americana pioneira na produção industrial de estruturas de baixo custo para moradias , visando principalmente o programa Minha Casa Minha Vida) e o projeto de construir uma unidade da IESA no município de Charqueadas , visando pp a produção de módulos para plataformas.
É importante ressaltar também que embora os números do IFRS para comparações trimestrais não esteja disponível , é possível notar um crescimento maior das receitas ocorreu principalmente no 4o Trimestre de 2010 , o que pode ser um indício que de fato a Petrobrás estava postergando alguns pagamentos e assinaturas de contratos enquanto o processo de capitalização da estatal não estava concluído. Com isso é possível esperar também que já a partir do 1T de 2011 os resultados apresentem um crescimento de receita mais próximos ao patamar anual. Não custa lembrar também que os investimentos maciços da Petrobrás nem começaram , e que o mercado de infraestrutura em geral continuará aquecido e apresentando investimentos crescentes por pelo menos os próximos 5 anos.
Lucro Bruto e Margem Bruta:
No ano de 2010 a Inepar apresentou um lucro bruto de 244 milhões , 5,7% menor que em 2009. A margem bruta em 2010 foi de 17,1& , enquanto a margem de 2009 foi de 21,6%.
A primeira vista , essa queda é preocupante. Pensando do ponto de vista operacional , não adianta a receita crescer se a margem diminuir. O ideal é que as margens subam , ou pelo menos permaneçam no mesmo patamar. Porém se analisarmos mais atentamente , é possível notar algumas das causas da margem bruta menor.
i) Andritz
No 3T , tivemos um impacto não recorrente causado por custos operacionais extraordinários que impactaram e muito a margem da Andritz , o que fez com que a margem bruta do exercício diminuísse consideravelmente. Para se ter uma idéia , excluindo o resultado da Andritz , a Inepar apresentaria uma margem bruta de 19,7% , mais próxima à média recente da Inepar.
ii) Iesa Equip.e Montagens
A Iesa Equip. também teve alguns custos extraordinários (vide teleconferência do 1T) , que impactaram as margens dos 2 primeiros trimestres ( margens brutas de 16%-1T e 9,5%-2T).
iii) A concorrência maior no setor e o sistema de propostas no formato de leilão que a Petrobrás adota em alguns casos tem causado também a diminuição da margem bruta , e deve ser acompanhado de perto. Essa diminuição já era esperada e mesmo explicitada pela empresa. Porém não há muito espaço para níveis menores, pois a empresa apresenta várias barreiras que garantem o crescimento futuro sustentável. Para citar algumas :
- A exigêcia da ANP nos leilões recentes que a operadora cumpra um nível de até 70% de conteúdo nacional nos equipamentos utilizados para exploração.
- Setor de capital intensivo ,o que é uma barreira contra novos concorrentes , e inclusive pode ser um driver se pensarmos que o único modo de participar da boquinha é : para pessoas físicas , ser acionistas de empresas com capital aberto no setor ; para fundos de investimento, entrar com capital comprando participações nas empresas já existentes ; para empresas do setor extrangeiras , se associando com as empresas daqui.
- Nível de demanda altíssimo e crescente , enquanto os forncedores estão sobrecarregados e não conseguindo acompanhar o crescimento vindouro (equação básica : alta demanda + baixo fornecimento = alta dos preços e margens).
Portanto , na minha opinião , a tendência é as margens se estabilizarem e possívelmente até aumentarem. Importante lembrar também que investimentos em ampliação e novas unidades, primeiro geram incremento de despesas e somente depois as receitas decorrentes restabelecem o equilibrio.
Análise de alguns outros números:
-As despesas administrativas e gerais cresceram 19,3% em comparação ao ano anterior, em linha com o aumento da receita. É normal que com a expansão das operações e com o dimensionamento de pessoal novo maior essas despesas aumentem , porém esse número se mantendo abaixo ou em linha com o crescimento de receitas é o que se espera de uma empresa com crescimento sustentável , e isto está ocorrendo (ponto positivo!).
-As despesas com vendas cresceram 24% em comparação ao ano anterior. Apesar de crescerem um pouco acima do crescimento da receita líquida , essas despesas são bem menores se comparadas às admistrativas e gerais e não tem grande impacto no resultado.
-O EBITDA apresentado pela empresa em 2010 foi de 89,4 milhões , 5,7% maior que em 2009. É importante ressaltar que os impactos não recorrentes acima influenciaram a baixa margem operacional de 2010. Para 2011 podemos esperar um aumento signifativo desse número , decorrente principalmente da retomada da margem bruta ,do aumento de receitas do grupo e da saída da Ibrafem do balanço.
-Estoques. Os estoques no fim de 2010 estavam no maior nível da história da empresa, em 350,6MI de reais. Do balanço, nota explicativa 10:
“O saldo de estoques em elaboração refere-se a custos de obras em andamento que
foram suportados pelas Companhias coligadas e controladas e que ainda não foram
medidos ou cobrados dos clientes; a realização destes valores está condicionada ao cumprimento de etapas de serviços que serão faturados aos clientes ao longo da execução dos projetos (obras).”
O alto nível de estoques pode ser um sinal muito positivo em relação ao resultado do primeiro trimestre deste ano, pois são encomendas que estão sendo elaboradas em vias de serem entregues. Acredito que 1TRI11 virá com um faturamento excelente, pelo menos mantendo a média de expansão em torno de 18% ano contra ano.
Liquidez corrente. O índice de liquidez corrente é um item que demonstra a capacidade da empresa de honrar com todas as suas obrigações de curto prazo de modo que possa continuar operando. Para calcular a liquidez corrente, divide-se o Ativo Circulando pelo Passivo Circulante. Há dois anos este índice era menor que 0,5, o que indicava uma empresa com grandes dificuldades de capital de giro para continuar suas atividades. No balanço de 2009 reapresentado, a liquidez corrente da Inepar estava em 0,83. No balanço de 2010 temos uma liquidez corrente de 0,91, aproximando-se de 1, nível no qual os ativos de curto prazo se igualam aos passivos.
A evolução deste indicador é notável e demonstra o sucesso que vem sendo alcançado pelo turnaround financeiro da companhia. É importante observar que o acordo com o BNDES vai melhorar muito este indicador, pois passivos de curto prazo serão extintos por meio da entrega da CEMAT e o que restar será enquadrado na rubrica de longo prazo. Segundo estimativas do Gimenez, após o acordo, a liquidez corrente da Inepar deve chegar a 1,4, demonstrando uma empresa com a parte financeira em ordem e entrando no radar dos analistas fundamentalistas de números.
Análise dos indicadores financeiros:
A Inepar fechou 2010 com uma dívida bruta de 1,1 bilhão , excluindo o REFIS(será consolidado finalmente em 2011 , e a dívida gira em torno de 600 milhões).
Grande parte desse passivo está ligado ao BNDES (mais de 50%) ,e em vias de resolução. O acordo passa necessariamente pela incorporação da IENG e posterior troca de CEMAT por parte do passivo. Há alguma chance de que com parte desse acordo o BNDES converta alguma parte da dívida em ações.
Deixando de lado as condições do acordo que ainda não foram publicadas, é importante destacar que o acordo em si será muito importante para o futuro da Inepar. Com ele , a Inepar poderá retornar ao mercado de créditos com mais facilidade e consequentemente captar o necessário para que possa tocar seus planos de expansão. Com esse acordo a Inepar se fortalecerá também nos futuros consórcios, podendo atingir participações maiores e com maiores margens operacionais.
A estrutura de capital da Inepar ainda precisa melhorar bastante para gerar um retorno satisfatório aos acionistas. É importante salientar que a definição com o BNDES é apenas um primeiro passo desse processo , e a adequação dessa estrutura ainda demandará algum tempo e esforço da diretoria. Algumas soluções para a adequação desse passivo são : a possibilidade de abater a dívida fiscal com os títulos da dívida externa no balanço ( é uma questão incerta , porém podemos ter novidades positivas ainda em 2011) ; uma possível captalização de alguma controlada (ou por vias de private equity , ou realizando o IPO de alguma coligada ,ou os 2 processos seguidos) ; o sucesso de programas e iniciativas do governo e principalmente da Petrobrás para fortalecer a cadeia de fornecedores , como por exemplo o programa piloto PROGREDIR( facilita crédito com garantia de recebíveis da estatal) ou quem sabe medidas do governo para desonerar parte setor industrial , principalmente ligada à infraestrutura.
Uma análise mais detalhada da situação da empresa será possível assim que tivermos o acordo com o BNDES assinado e o REFIS consolidado , o que deve ocorrer provavelmente ja no balanço do 2T.
Outros movimento importantes que ocorreram em 2010 e início de 2011:
- Transparência : Inepar finalmente migrou para o N1. Esta era uma demanda antiga dos acionistas , e mostra que a empresa está preocupada em passar uma imagem positiva perante ao mercado. A adesão ao N1 também é um passo importante para que alguns institucionais possam eventualmente montar posição na empresa. Outros passos que mostram que a empresa está tentando uma reaproximação com o mercado são a assinatura do contrato com a MZ , que cuidará de melhorar a apresentação dos balanços , realizar apresentações e teleconferências de resultados para o mercado ,além de algumas outras melhorias. Além disso , segundo o RI , o departamento como um todo está sendo reestruturado e possivelmente em breve teremos um novo diretor de RI exercendo o cargo que hoje está ocupado pelo César.
- Venda da Ibrafem para a Inepar Adm. Como todos sabem , a Ibrafem e sua coligada Sadefem (também conhecida como Sadefumo, Safadenha, ou Sefudem) apresentam prejuízos acumulados altíssimos e eram um fardo para o grupo Inepar. No final de 2010 , em movimento realizado em linha com a reestruturação que a Inepar passar , a parte que cabia à Inepar na Ibrafem foi repassada para a Inepar Adm (Nota explicativa número 15), e com isso além de se livrar dessa fria ficou recebeu debêntures da mesma ( Nota explicativa número 9d ) , além de um ativo referente a um futuro aumento de capital da Ibrafem que já fora adiantado pela Inepar.
- Participação na GFS e marcação dos títulos à mercado: Nota explicativa número 13b . Os títulos de dívida da coligada IESA O&G foram dados à GFS participações como pagamento por uma participação de 15% no capital da GFS. Esse movimento foi importante porque além de precificar os títulos da Inepar à mercado (valeriam aproximadamente 1 bilhão de reais levando essa transação) fez com que a Inepar tenha um ativo estratégico (a GFS controla 100% da Ishibrás , que foi arrendada por 20 anos para a Petrobrás a 4 milhões/mês) que deverá inclusive ser alienado por um valor maior do que conseguiria eventualmente vendendo seus títulos à mercado. Quem sabe poderia ainda ser usado na negociação
com o BNDES e assim evitar uma possível diluição futura.
- Aumentos de capital que possibilitaram Inepar melhorar sua situação financeira e melhorar seu perfil de endividamento. Esses aumentos de capital foram importantes para a empresa , apesar de seus custos para os acionistas antigos. É importante comentar que a situação da empresa hoje é muito mais confortável do que no final de 2009 , o que indica que no CP/MP a empresa não necessitará realizar outros aumentos de capital.
- Pagamento de dividendos. Após 11 anos , a Inepar finalmente entra no grupo das empresas pagadoras de dividendos. O DY aproximado nesse primeiro pagamento será de 2% , o que a coloca no patamar de empresas como a Vale (não é mesmo Buric?). Esse movimento pode estar sim muito relacionado ao movimento de ativismo que ronda Inepar. Mas mais importante que isso é que esse pagamento sinaliza uma nova era na Inepar, onde a empresa conseguiu se livrar dos pesados prejuízos do passado e começa a se mostrar uma empresa lucrativa. Segundo as demonstrações de Fluxo de Caixa , a Inepar apresentou um Caixa Gerado pelas Atividades Operacionais no valor de 47,5 milhões de reais em 2010 , enquanto em 2009 esse valor foi negativo no valor de 70,5 milhões de reais.
Portanto , no geral , o ano de 2010 e início de 2011 foi muito positivo para a empresa. Passos significativos foram dados no processo de reestruturação e a empresa apresentou números operacionais satisfatórios , mesmo estando um pouco abaixo do esperado pelos motivos vistos acima. Segundo o presidente da empresa , Atilano Oms , 2011 será o ano marcado pelo final da reestruturação da empresa e também pela reaproximação da empresa com o mercado.
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