Na esteira da capitalização da Petrobras, os fornecedores da indústria do petróleo se tornaram alvo do mercado financeiro. Depois de FIDCs e FIPs sob medida, agora é a vez do Programa Progredir, lastreado em contratos de suprimento destinados aos empreendimentos da petroleira.
Seu grande diferencial é a possibilidade de estender o crédito do fornecedor direto da Petrobras a empresas dos elos inferiores da cadeia, atingindo um universo da ordem de 200 mil subfornecedores.
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Desenvolvido pela Petrobras em conjunto com os bancos participantes – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú e Santander –, o Progredir atrela o financiamento a um fornecedor à cessão de parte desse crédito para o subfornecedor. Dessa forma, o sistema vai amarrando um a um os elos da cadeia de suprimento. Assim, qualquer contrato de fornecimento para a petroleira pode ancorar uma sequência de empréstimos que vão financiar até o quarto elo da cadeia.
Segundo estimativa dos bancos participantes, o sistema poderá movimentar R$ 3 bilhões. O valor é baseado no fluxo mensal de pagamento da Petrobras. Ao todo, a petroleira gerencia 42 mil contratos, de 34 mil empresas. A tendência é que a cifra aumente, à medida que o programa de investimento da companhia seja implantado. Afinal, com um pesado plano de investimento, a Petrobras dependerá cada vez mais de fornecedores e subfornecedores, e boa parte deles não tem fôlego para seguir esse ritmo.
Em conversas com entidades setoriais e o Prominp, a petroleira detectou que o maior gargalo é a falta de robustez financeira das empresas, o que limita as possibilidades de acesso ao crédito pelas vias convencionais. Por isso a promessa por trás do Progredir é melhorar o risco percebido dessas empresas, especialmente das pequenas e médias. “A Petrobras tem a melhor percepção de crédito do Brasil, e a ideia foi estender isso para a cadeia”, explica o gerente Geral da área financeira da Petrobras, João Ferraz.
Partida na Petrobras
O primeiro passo é dado pela Petrobras, que inclui o nome e o contato do fornecedor em um portal exclusivo do programa. A empresa inserida recebe um aviso automático com a apresentação do sistema e orientação para o cadastramento, que inclui dados da companhia e do contrato a ser usado como garantia.
O fornecedor poderá incluir um ou mais contratos, que precisarão ser validados pela Petrobras. Feito isso, o fornecedor poderá fazer uma proposta de financiamento oferecendo até 50% do saldo a faturar do contrato ou do somatório de contratos com a petroleira.
O pedido do fornecedor é enviado aos bancos participantes, que terão de quatro dias a três semanas para responder, conforme o valor do financiamento. A ideia é promover uma espécie de leilão eletrônico pelo potencial tomador – ou seja, os bancos disputarem o contrato, oferecendo melhores condições.
As propostas dos bancos têm validade de 48 horas. Se o fornecedor optar por alguma, o banco escolhido recebe um aviso eletrônico, solicitando uma visita à empresa.
Se houver acerto, o financiamento é liberado em até 72 horas. A operação, porém, é condicionada à inclusão de pelo menos um subfornecedor do contrato. Uma vez incluído, ele poderá obter financiamento passando por todo o processo e ao final terá de indicar um subfornecedor, e assim sucessivamente.
Segundo Ferraz, haverá todo o interesse do fornecedor de cadastrar o maior número de subfornecedores. “A mesma vantagem que a Petrobras enxerga em fortalecer sua cadeia de suprimento é vista pelos elos abaixo”, compara.
Para mitigar o risco de inadimplência no sistema foi criada uma conta garantia, por onde passam os pagamentos das empresas participantes relativos aos contratos financiados. Assim, se uma companhia não honra um contrato com um fornecedor, o valor da dívida é retido no pagamento seguinte e repassado ao banco credor.
Segundo Ferraz, em três anos o sistema deverá acumular grande quantidade de informações sobre a performance das empresas, o que reduzirá cada vez mais o risco das operações. “O sistema deverá operar com fornecedores que têm fluxos regulares de participação na cadeia de suprimento, que estão frequentemente fornecendo”, avalia.
PASSO A PASSO DO PROGREDIR
1) A Petrobras inclui o fornecedor no portal.
2) O fornecedor recebe um convite eletrônico para aderir ao portal.
3) O fornecedor cadastra os dados de sua empresa e do(s) contrato(s) com a Petrobras que quer oferecer em garantia.
4) A Petrobras valida as informações.
5) O fornecedor faz um pedido de financiamento que é enviado eletronicamente a todos os bancos participantes – BB, Bradesco, Caixa, Itaú, HSBC e Santander –, podendo oferecer até 50% do saldo do(s) contrato(s) com a Petrobras em garantia.
6) Cada banco participante envia uma proposta de financiamento ao fornecedor com base nas informações da empresa e do(s) contrato(s) oferecido(s) em garantia, em um prazo de quatro dias a três semanas, conforme o valor e a natureza dos contratos.
7) O fornecedor tem 48 horas para escolher uma das propostas. Após esse prazo, elas perdem a validade.
8) O recurso é liberado em até 72 horas após o acerto com o banco escolhido, desde que todas as exigências contratuais sejam atendidas.
9) Uma das exigências é que o fornecedor se obriga a aderir ao contrato de participação no programa indicando os próprios fornecedores e vinculando os 50% restantes do saldo do(s) contrato(s) com a Petrobras oferecido(s) em garantia de pagamento para esses fornecedores.
10) O processo é reiniciado com a(s) empresa(s) indicada(s) recebendo um convite eletrônico para aderir ao portal.
Segurança para os bancos
Na avaliação dos bancos participantes, o Progredir vai estruturar e dar transparência às operações de crédito na cadeia produtiva de óleo e gás. “Haverá mais segurança na avaliação do fornecedor, o que pode alavancar limites de crédito maior”, diz o diretor da Área Empresas do Itaú Unibanco, Carlos Maccariello.
Para o diretor do Departamento de Poder Público do Bradesco, Renan Mascarenhas, a segurança proporcionada pelo programa vai dinamizar as operações de crédito. “Os contratos serão mais seguros. Em consequência, o custo do financiamento tende a ser mais competitivo.”
Segundo o chefe da área de Cadeia de Valor do Santander, José Clemenceau, o Progredir possibilita o financiamento em larga escala. “Vamos oferecer linhas específicas para esse público de uma maneira mais abrangente”, ressalta.
O portal é visto como um meio de acelerar o processo, ao mapear o fluxo de pagamentos e recebimentos do fornecedor, facilitando a análise do risco. “Haverá agilidade na análise e constituição das garantias através de instrumentos jurídicos específicos e travas eletrônicas”, comenta o diretor de Produtos de Pessoa Jurídica do HSBC, Rodrigo Caramez.
O gerente Executivo do Banco do Brasil, Renato Proença Lopes, destaca que o programa tem apelo especial para pequenas e médias empresas. “Ele foi estruturado para oferecer condições mais adequadas à necessidade de capital de giro.”.
Para o gerente Regional de Médias e Grandes Empresas da Caixa, Julio Cesar da Silva Costa, o Progredir vai além do financiamento à produção. “Vamos identificar demandas para financiar infraestrutura urbana em projetos com algum impacto regional”, explica.
Primeiros testes
O Progredir foi lançado em setembro com 30 fornecedores da Petrobras – até o fechamento desta edição, ainda faltava a confirmação da adesão de três deles. Esse projeto piloto visa testar o sistema com um número reduzido de empresas antes de abrir o programa para todos os fornecedores com contratos ativos com a Petrobras.
A expectativa da petroleira, que financiou o desenvolvimento do sistema e paga a manutenção do portal, é que o Progredir propicie a redução do custo de bens e serviços na cadeia de suprimento, se o fornecedor tiver acesso a fontes de financiamentos mais baratas e puder praticar preços mais competitivos.
Já há entendimentos entre a Petrobras e o BNDES para que o banco participe do sistema a partir de 2011, atuando como fonte de recurso e provedor de garantia adicional para os bancos, através do programa FGI (Fundo Garantidor de Investimentos).
As pioneiras do Progredir
AC Engenharia
BSM Engenharia
Combustol Indústria e Comércio
Conenge-SC Construções e Eng.
Conesteel Válvulas e Conexões
Consórcio Passarelli/Gel-Repar
Delp Engenharia Mecânica
Concremat
Gel Engenharia
Jaraguá Equipamentos Industriais
Lupatech
Metalúrgica Brusantin
Multitek Engenharia
Neuman & Esser América do Sul
Potencial Engenharia
Tridimensional Engenharia
Iesa Consórcio CCPR-Repar
Consórcio Interpar
Consórcio Mendes Júnior-MPE-SOG
Cordoaria São Leopoldo
MPE
Consórcio Alumpe
Alusa Engenharia
entroprojekt do Brasil
Gemon Engenharia
Techlabor Engenharia
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