terça-feira, 17 de agosto de 2010

Análise Balanço 2o tri ( jaumsp )

Bom, achei o resultado fraco para médio. Apesar de ter saído um lucro de 7 milhões de reais , tem alguns fatos que me chamaram atenção.

1) Quanto a receita líquida , tivemos um aumento de 13% em relação ao mesmo trimestre de 2009. Entretanto este aumento não refletiu no balanço. A margem bruta deste trimestre ficou em torno de 21% , enquanto ano passado ficou em torno de 23%.

Resultado Bruto 2010 - 54,914 mi
Resultado Bruto 2009 - 53,214 mi

Esta diminuição na margem pode ser resultante de problemas operacionais , vide 1o trimeste , ou um efeito natural de projetos que tenham uma margem mais apertada. Vamos esperar a teleconferência para maiores detalhes.

2) Despesas comerciais e administrativas se mantiveram no mesmo patamar que o 1o trimestre , o que é um número bom .

3) Resultado financeiro de - 23 milhões de reais , um pouco melhor que do 1o trimestre. Vale ressaltar que grande parte das receitas financeiras vieram da atualização dos títulos da dívida pública , o que equivale a um ganho apenas contábil. ENTRETANTO , se olharmos as despesas financeiras com atenção veremos que tivemos uma despesa de 67 milhões este trimestre. Se anualizarmos as despesas financeiros do 1o semestre , teríamos uma despesa financeira anual de 262 milhões de reais. É ou não é um valor IRREAL? Se de um lado os títulos públicos provocam um ganho contábil , de outro lado as atualizações da dívida provocam um prejuízo contábil grande também. Com toda a certeza , o custo da dívida REAL é muito menor que este valor , arriscaria dizer que menos que 50% deste valor. Para quem acompanha a situação REAL do endividamento , e não apenas os números que aparecem no balanço ( grande parte são mera formalidade , vide os 150 milhões de debêntures no balanço que na verdade estão na tesouraria da Inepar) consegue estimar um custo mais ou menos próximo ao da realidade. Após finalizado o processo de reestruturação deveremos ter uma visão mais clara sobre o assunto.

4) CEMAT. Novamente a empresa provocou alguns danos no balanço. Como a Cemat apresentou um prejuízo neste trimestre , ocorreu um leve impairment no nosso ativo, vide nota explicativa Nm. 9.

5) Reversões de provisões. Neste trimestre tivemos algumas reversões de provisões referentes à pendências tributárias. Não consegui entender se foram referentes aos débitos em decadência(vide post do sócio Kimez aqui no blog) ou se eram referentes ainda a questão do Refis. Estas reversões aumentaram o lucro líquido em cerca de 5,7 milhões de reais.

6) Venda de ações da INET. Este trimestre as vendas de ações da INET totalizaram um ganho de 6,3 milhões de reais, o que ajudou a manter o balanço positivo.

7) Quanto ao resultado das coligadas , não analisei ainda os balanços atentamente , mas me parece que IESA e Andritz tiveram melhoras . Inepar Energia novamente dando uma puxada para baixo no resultado , desta vez em função do resultado negativo da CEMAT. Com este resultado negativo o valor patrimonial de IENG caiu mais um pouco. Acho que estamos chegando perto da hora da incorporação desta empresa.
Quanto a Ibrafem , prejuízo de 17 milhões. Sabendo que Inepar tem 26% do capital desta , achei estranho não aumentarem as provisões este trimestre , vide trimestre passado.

Pelo que pude observar nessa primeira passada pelo resultado , achei a parte operacional razoável/fraca. As receitas estão aumentando (ainda um pouco abaixo do esperado) , porém as margens não estão ajudando muito. Como disse em cima , acho melhor esperar a teleconferência para saber se houve algum problema operacional que pode ter prejudicado as margens , vide trimestre passado.

Acho importante ressaltar também a questão do caixa. Tivemos um saldo de captação positiva de 25 milhões de reais esse trimestre. Este saldo em parte foi para pagamento de juros , cerca de 9 milhões, e em parte ajudou a pagar os investimentos feitos esse trimestre, no valor de  17 milhões ( bem maior do que os 5 milhões do trimestre anterior ... bom sinal).
 No final do trimestre , nosso caixa passou de 104 milhões para aproximadamente 70 milhões. Isto reforça minha tese que este aumento de capital era necessário, já que a expansão das atividades e um operacional ,que está caminhando a passadas apenas  modestas, demandam/demandarão um caixa alto para manter as atividades em certo equilíbrio e não precisar recorrer toda vez a financiamentos de terceiros.
Além do mais , o efeito de uma possível incorporação de IENG deve passar pelo caixa também.

Acho que já esperava um resultado mais ou menos nesse nível , embora alguns itens tenham me decepcionado um pouco. Resta acompanhar o final do processo de aumento de capital e o final do processo de reestruturação da empresa , que deverá terminar no meio de 2011. É bom ficar de olho na carteira de pedidos também. Fechamos o trimestre com uma carteira de 3,4 bilhões. Como dito pela empresa , o aumento da carteira se dará em maior nível no 2o semestre, resta acompanhar.

Abraços

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