Foi um balanço mediano para bom dado o cenário atual, ficou um pouco obscuro para mim as mudanças nas debêntures e a forma como foram contabilizadas. Tirando isso, acho que vale se tomar em conta os tópicos abaixo:
a ) Crescimento da receita
A velocidade um pouco inferior ao que eu esperava dado que houve uma desaceleração em relação CAGR dos últimos anos de 18% que sempre comento. Mas ainda acho que é daqui para cima o crescimento, em conversa com o Dionisio ele disse que o resultado vinha ok, ainda mais que o primeiro semestre costuma ser fraco. Considerando a média dos últimos 4 anos o primeiro semestre costuma representar 43% do ano. Se isso for verdade teriamos um faturamento anual de R$ 1.570MM, aprox 15% acima do ano passado.
Em relação ao ponto levantado pelo jaum e dpgimenez de porque a carteira cai em velocidade não idêntica ao crescimento da receita. Concordo com o dpgimenez que de forma alguma é preocupante. Tem-se os seguintes pontos:
- Existe em passivo circulante uma conta de ‘Adiantamento sobre Encomendas’ igual a 149.832.
- Existe em ativos circulantes ‘Contas a Receber de Clientes a Faturar’ igual a 132.696
- Existe em ativos não circulantes ‘Contas a Receber de Clientes a Faturar’ igual a 181.744
Essas contas podem se sobrepor, ou seja, um cliente pode estar como a faturar e ter adiantado o recebível de encomendas. Mas em geral as variações nestas caixas somadas as variações na receita e carteira em um determinado período se anulam. Se alguém tiver tempo de fazer a conta seria interessante postar.
b) Ajuste contábil em Lucros/Prejuízos Acumulados
Não poderia deixar de comentar quanto gosto de ver a conta Lucros/Prejuízos Acumulados sair de (410.795) para 14.436.
c) Ibrafem
Continuo não gostando nada da performance desta divisão. Temos neste período novamente R$ 17M de prejuízo. O que me irrita nesse ponto é que a Inep entrou com R$ 26M para ter participação de 26,4% na Ibrafem e já tem que ter uma provisão devido ao patrimônio liquido descoberto da Ibrafem da ordem de R$ 38M.
Desconheço uma eventual relevância estratégica dessa divisão, mas mesmo que tivesse venderia esse pepino para outro e compraria as tais estruturas metálicas a mercado.
d) Financiamento
Houve aumento de R$ 12M de financiamento de Capital de Giro e incidência de juros no montante integral financiado, saindo de R$ 780M para R$ 811M, equivalente a 16,87% a.a. em juros (3,97% a.t.) mais os novos R$ 12M de giro. Vale ressaltar que dos totais R$ 823 financiados, 66% é de dívida vencida em renegociação, que continua a crescer com base em critérios antigos, mas que a Inepar está questionando, como os IGMP (fixo em 9%) + 11% a.a de parte da dívida. Logo é desse montante para baixo.
e) Refis
Fechando o ponto. Foi submetido um total de R$ 577M ao programa, sendo que R$ 183M de acordo com estimativas da Inep serão perdoados e os R$ 395 a serem parcelados e não mais incorrem juros.
f) Debentures 4ª emissão
Bruxa, esse assunto de que a totalidade da 4ª emissão está em tesouraria continua estranho para mim. Foram emitidas 270M debêntures nessa emissão, sendo que a 1ª serie corresponde a 135M conversíveis em ON e a 2ª 135M conversíveis em PN. Da 1ª serie (ON) 15,81M estaria em custodia da IAP e 15,16M viraram ONs na emissão de ações de final de 2009. Portanto todo o restante não consta (no balanço) como em tesouraria.
g) Títulos divida externa
Balanço:
(ver imagens)
http://img59.imageshack.us/i/imagem1vf.png/
http://img682.imageshack.us/i/imagem2rby.png/
Só volto a esse ponto para expor que, também de acordo com a auditoria, Inep tem efeito nulo – mesmo contabilmente – nesse ponto. Entrou os R$ 1.149MM de títulos de divida publica em seu balanço (ativo) com contrapartida em um passivo mutuo (passivo, obvio) com sua controlada IAP. Se o ativo deixar de existir por decisão da justiça, o passivo também deixará. Logo, aparentemente, não há desembolso financeiro NEM CONTABIL.
O risco de o título não existir é da IAP não Inep. O risco da inep é a IAP não ter o dinheiro de fazer a troca do título por cash. Ora, a IAP nunca deu esse dinheiro para a Inep, logo não é a falta dele que mudará a situação atual. E se a justiça definir que trata-se de um ativo virtual? Logo a Inep trocará um ativo virtual (títulos) por um ativo virtual (divida com a IAP). Não muda nada! Espero ter conseguido me explicar de uma vez por todas.
Bom acho que é isso...
Abs
Buric
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