São José do Rio Preto, 27 de Fevereiro, 2011 - 2:22
Região precisa de R$ 11,2 bi para evitar apagão logístico
Liza Mirella
Pierre Duarte/Arquivo
Ponte integra rodovia e ferrovia em Santa Fé do Sul; terminal pode ser ampliado Para evitar a ocorrência de um apagão logístico em 2014, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou um conjunto de propostas para todo o País baseado em nove eixos, dos quais dois atravessam o Noroeste paulista. O Plano CNT de Transporte e Logística 2011 prevê oito obras para solucionar gargalos do setor na região de Rio Preto, que representam R$ 11,2 bilhões em investimentos em infraestrutura rodoviária, ferroviária e hidroviária.
O plano contém 748 projetos essenciais, orçados em R$ 404,9 bilhões, para que o País se projete definitivamente como uma nação forte e desenvolvida. A quarta edição do estudo traz um conjunto de propostas de adequação, construção e recuperação da infraestrutura de transporte do País.
Na região, a obra mais cara é a ferrovia Norte-Sul. São 1.765 quilômetros de estrada de ferro entre Araguaína (TO) e Estrela d´Oeste, no valor de R$ 9 bilhões. O início das obras já foi autorizado pelo governo. De acordo com a Tiisa, empresa que fará as obras , estão sendo definidas as áreas de acampamento, repúblicas e pedreira. A previsão, anunciada no fim de janeiro, é de que a construção comece quando terminar o período chuvoso.
O modal hidroviário é o que mais recebe atenção da CNT na região. São quatro obras no total. A primeira é a construção da eclusa da usina de Ilha Solteira, com investimentos estimados em R$ 776 milhões. A outra obra é a modernização da eclusa de Nova Avanhandava, em Buritama, orçada em R$ 776 milhões.
Em Pereira Barreto, o planejamento é de construção do terminal hidroviário, com investimentos de R$ 138 milhões. Em Santa Fé do Sul, o projeto é de ampliação do terminal intermodal da hidrovia Tietê-Paraná, ao custo de R$ 86 milhões.
O plano inclui Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul, com a construção do terminal intermodal e investimentos de R$ 138 milhões. A melhoria do transporte rodoviário está prevista na obra de implantação de faixas adicionais na rodovia SP-310, entre Mirassol e Ilha Solteira, num total de 205 quilômetros. A obra custa R$ 341 milhões.
Rio Preto pode ser contemplada no plano por meio de sinalização de passagens de nível urbanas, num trecho até a cidade de Cubatão. Essa ação integra a categoria eliminação de gargalos da infraestrutura.
A CNT informou que para a seleção das ações necessárias foram consideradas as contribuições de entidades afiliadas à Confederação e pesquisas realizadas por instituições ligadas a outros setores da economia, além de órgãos governamentais e não governamentais que têm relação com o transporte.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Rio Preto e Região (Setcarp), Kagio Miura, investimentos desse porte certamente trazem desenvolvimento para o setor logístico da região de Rio Preto. “A grande dúvida é se há, de fato, recursos para esses projetos.” Ele diz que os projetos são viáveis e a integração entre os modais é fundamental. “A ferrovia pode absorver o aumento no movimento de transporte de carga e resolver esse gargalo.”
Rubens Cardia
Plano prevê a construção de eclusa na usina de Ilha Solteira Plano busca desenvolvimento do setor
O plano foi estruturado em duas classes de projetos: os de integração nacional e os urbanos. Os projetos de integração nacional foram definidos como base em eixos de transporte e os urbanos se fundamentaram em regiões metropolitanas. O documento tem como objetivo contribuir para o planejamento de ações que englobam todos os segmentos de transporte e logística: rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroportuário e de transporte urbano.
Os projetos sugeridos referem-se às intervenções necessárias para viabilizar e ou tornar mais eficiente o deslocamento de pessoas e produtos na área de influência dos eixos. Segundo o plano da CNT, um sistema logístico de transporte ineficiente traz uma série de consequências ruins para o País. Uma delas é aumentar o preço final de produtos. Outra é que a população economicamente ativa - responsável pelo consumo desses produtos - arca com a ineficiência em função dos custos embutidos nos preços.
Outro aspecto envolve a sociedade como um todo, que perde porque a ineficiência acarreta em baixa produtividade dos produtos nacionais no mercado externo e, consequentemente, há menor geração de divisas.
No Estado de São Paulo, o plano da CNT prevê investimento mínimo de R$ 46,9 bilhões. As propostas envolvem todas as infraestruturas de transporte e projetos urbanos. Os destaques são a ampliação dos aeroportos de Guarulhos e de Campinas; a construção do contorno ferroviário de São Paulo; a dragagem e ampliação do acesso rodoviário ao Porto de Santos; a duplicação da BR-116 no Estado, a construção de um terminal ferroviário em Araraquara e a finalização do Rodoanel.
Entidade teme colapso no País
O presidente da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais de Logística (APEPL), Anderson Moreira, faz uma avaliação crítica da realidade brasileira. “A situação do Brasil é de colapso iminente se não forem investidos altos valores.” Isso porque se não há infraestrutura para movimentar e escoar a produção brasileira, o País para de crescer. Segundo ele, o plano elaborado pela CNT é fantástico.
O grande problema é a burocracia que emperra a implementação das obras no Brasil. “O desenvolvimento de projetos demora de cinco a sete anos.” A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 também devem atrapalhar essas obras, já que serão priorizadas pelo governo. “A preocupação é que os projetos previstos não ocorram no tempo necessário”, afirmou.
Para Moreira, um caminho para resolver os gargalos do sistema logístico brasileiro é melhorar a infraestrutura existente, para resolver os problemas do passado. “Mais investimentos em ferrovia e hidrovia resolvem os problemas do presente e garantem o futuro.” Moreira afirma que esses dois modais são essenciais para o desenvolvimento do Brasil. “A hidrovia é um transporte que gasta menos e é mais produtivo, por isso acaba atraindo mais empresas.”
Sobre as ferrovias, ele diz que há necessidade de aumentar a malha. São cerca de 29,8 mil quilômetros de estrada e, para comparar, ele cita os 34,1 mil quilômetros da Argentina e os 230 mil quilômetros dos Estados Unidos.
Outro ponto é diminuir o custo da logística no País. No Brasil, está em cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em países como Alemanha e Estados Unidos não passa de 8%. “A diminuição ocorre com a melhoria do que já existe e com investimentos em novos projetos.”
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